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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Criança Superdotada


Criança superdotada

Saiba como idenficar e como educar uma criança com inteligência acima da média

Pais, professores e médicos precisam de preparo e informação para identificar crianças com talentos especiais

A receita para descobrir um superdotado

Uma criança de pouco mais de um ano, que mal consegue falar, é levada ao Instituto para Otimização da Aprendizagem (Inodap), em Curitiba.  Os pais estão surpresos com o bebê, que já sabe todas as letras do alfabeto. Ele aponta para a letra “p” de um joguinho de blocos e diz “papai”. A pesquisadora Maria Lúcia Prado Sabatella, que atende o casal, pega o bloco com a letra “m” e arrasta para o bebê do outro lado da mesa.
“É ‘m’ de mamãe?”, pergunta à criança, que responde: “w”. Só depois de alguns instantes, os adultos percebem que o “m” estava virado de ponta-cabeça em relação ao bebê, que via mesmo um “w”. Assim são os superdotados: surpreendentes. É gente brilhante, em diferentes áreas, cada um desempenhando o seu melhor – bem acima da média.

A consultora e pesquisadora Maria Lúcia Prado Sabatella é mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná, especializada na área de Superdotação e Talento. Delegada do Brasil no Conselho Mundial para Crianças Superdotadas e Talentosas, ela acaba de lançar o livro Talento e Superdotação: Problema ou Solução?, pela Editora IBPEX, e fala mais sobre o tema de seus estudos.

O que define um superdotado?

Superdotado é aquele indivíduo que tem uma ou mais habilidades expressivamente acima da média em algum campo do saber ou do fazer. São pessoas normais, mas não são comuns.
Os superdotados são poucos?

Não há uma estatística brasileira, pois em nosso país não fazemos identificação nas escolas. A Organização Mundial da Saúde estima que 3,5% a 5% da população mundial seja superdotada. No entanto, esse dado se baseia apenas em testes de Q.I. (Quociente de Inteligência), que é um dos instrumentos utilizados na identificação de superdotados e testa somente as áreas acadêmicas da inteligência – lógica e verbal. O Garrincha, por exemplo, foi considerado praticamente um débil mental em um teste de Q.I., mas era, evidentemente, um atleta brilhante, um superdotado psicomotor. Assim, quando são incluídas as demais áreas da inteligência, que podem envolver habilidades como liderança, capacidade de mediação, argumentação e criatividade, o número de pessoas superdotadas pode subir para cerca de 12%.
Nesse exemplo do futebol, superdotação é o que se chama usualmente de talento?
Na literatura costuma-se encontrar a referência a “superdotados e talentosos” evidenciando que de forma implícita o talento designa habilidades nas artes e atividades corporais, enquanto o termo superdotado é aplicado às pessoas com grandes habilidades intelectuais e acadêmicas. Indivíduos superdotados destacam-se em uma área ou em um grupo delas independentemente da categorização de sua habilidade.


E os gênios?
Geralmente, quando se fala de superdotado, faz-se uma correlação imediata com o gênio. Mas o gênio é aquele que contribui com a humanidade, que perdura por gerações. O gênio quebra paradigmas e conceitos previamente estabelecidos, como o Einstein. Todo gênio é um superdotado, mas nem todo superdotado é um gênio. A genialidade é o nível mais alto de superdotação.
O que os pais devem fazer ao identificar a 
superdotação no filho?

Tem que procurar bibliografia e ajuda de profissionais especializados, conversar com outros pais de superdotados. No Instituto para Otimização da Aprendizagem, que presido, fazemos grupos com os pais a cada semestre e a troca de experiências é muito rica. Os pais de superdotados se sentem marginalizados e relutam em falar sobre os progressos dos seus filhos. É importante que os pais tenham consciência de que se trata de uma criança especial e que se informem a respeito. Quando nasce um filho com Síndrome de Down, por exemplo, os pais correm a se preparar para essa condição e o mesmo deve ser feito se a criança é superdotada. Isso passa também pela escola, onde os professores devem ser esclarecidos sobre o tema.
As escolas estão preparadas para os superdotados?

Infelizmente, não. Apesar de a Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, tratar da educação especial, não só para as pessoas com deficiência, geralmente enquadradas nesse tipo de educação, mas também para os superdotados. E eles não são tão poucos. Analisando a população escolar, pode-se dizer que, em cada sala de aula, há uma ou duas crianças superdotadas. Muitas vezes, são justamente aquelas que ficam inquietas e fazem bagunça, porque já terminaram as tarefas, ou porque não precisam copiar nada do quadro, já que têm tudo memorizado. O superdotado precisa de mais desafios. O professor pode sugerir atividades que enriqueçam e aprofundem o conhecimento e poderá se surpreender com os resultados. Um superdotado, na sala de aula, pode favorecer um ensino de maior qualidade para todos os alunos. Se estiverem estudando, por exemplo, os afluentes do Rio Amazonas, o professor pode sugerir que os alunos que tiverem vontade pesquisem e se aprofundem na cultura amazonense, por exemplo. Fizeram isso em uma escola e tiveram que abrir um museu sobre a região Amazônica, tamanha a pesquisa feita pelos alunos. O estímulo serviu para mostrar que todos os alunos produzem mais quando há incentivo e interesse. No entanto, via de regra, o professor, o psicólogo ou o médico não estão preparados para identificar e lidar com os superdotados.

Nem mesmo os médicos?

Muitas das “características” do superdotado são muito semelhantes aos comportamentos apresentados como sintomas da hiperatividade e do déficit de atenção,que estão tão em moda. Se a criança começa a perguntar demais, interrompe a aula, não copia a agenda ou completa tarefas, muitos professores têm indicado que os pais procurem um médico sugerindo que o filho é hiperativo. Não é competência dos professores fazer diagnóstico e essa atitude tem levado muitas crianças apenas curiosas, saudáveis e que aprendem com mais rapidez, a serem medicadas como hiperativas. Tudo acaba sendo resolvido na base da “babá-química”. O aconselhável é investigar o potencial do aluno que apresenta as características de que falamos, antes de se pensar em diagnóstico.
A superdotação é inata? Há alguma relação com a classe social?
Nem uma coisa nem outra. De fato, há um componente genético. Geralmente, indivíduos superdotados vêm de famílias que apresentam essa mesma característica. Mas não é algo inato, já que, se assim fosse, todas as pessoas de determinada família que possui superdotados seriam igualmente brilhantes. E isso não acontece. Há o componente externo, os estímulos, a interação com o meio. E aí eu dou um exemplo de como a superdotação não tem nada a ver com a classe social. Eu já vi uma criança de cinco anos, moradora de assentamento sem-terra, que me explicou corretamente temas como o Produto Interno Bruto do Brasil e a inflação do país. Como ele aprendeu isso? Com as páginas de jornais velhos que eus pais lhe davam para pintar. Mas assim como a inteligência não tem classe social, ela é amoral. Essa criança do assentamento optou pelo caderno de economia do jornal. Mas ele poderia ter preferido ler algo que lhe aguçasse o interesse por coisas erradas. Ou seja, a inteligência pode ser mal direcionada. O Fernandinho Beira-Mar, por exemplo. Ele é brilhante. Tanto que, mesmo preso, continua comandado sua facção criminosa e ninguém consegue impedir isso. Dá para colocar o corpo atrás das grades, mas a cabeça não. Ele é uma das muitas pessoas brilhantes mal direcionadas. Por isso, é importante haver estímulos positivos, sobretudo às crianças superdotadas.

Em tempos de tecnologias como a internet, esses jovens não são superestimulados?

Tudo o que é exagerado é ruim e isso não tem a ver com a internet ou os videogames. Assim como a criança que não sai da frente do computador, aquela que fica afundada nos livros, sem fazer outra coisa, também não está se desenvolvendo adequadamente. É importante que a família estimule tudo, inclusive atividades que tirem a criança de casa. Mas eu acho que essa geração que cresce entre computadores se desenvolve mais rapidamente e isso é positivo. Eu costumo dizer que, havendo dúvida se a criança é ou não superdotada, o melhor a se fazer é criá-la como superdotada, ou seja, estimulá-la constantemente. Às vezes eu ouço dizerem que uma criança de 4 anos, por exemplo, é muito nova para ir à escola. Como assim? Vá na favela ver se crianças com essa idade já não trabalham como olheiras para os traficantes. Se podem fazer isso, podem ir para a escola!
Se essa criança não for educada da maneira adequada, ela pode perder o talento?
Ela pode não desenvolver seu máximo e isso, sobretudo para alguém com potencial, é frustrante. Por falar em frustração, é importante que os pais não criem expectativas demais sobre a criança. Não é por ser superdotada que ela não pode ir mal escola, ou tirar uma nota baixa. Superdotado não é perfeito. Como eu disse no início, o superdotado não é comum, mas é normal.
Serviço: O Instituto para Otimização da 


Aprendizagem - Inodap - é uma ONG que 

atende crianças e adultos superdotados, com 

acompanhamento familiar e escolar. 

Informações pelo telefone (41) 3343-3448
Como identificar um superdotado
A superdotação é mais fácil de ser identificada na infância e adolescência. Por isso, pais e professores devem ficar atentos a algumas características que podem evidenciar o brilhantismo dos jovens. 
 
A criança pode ser superdotada se:
1. Apresenta muita facilidade na escola, a ponto de incomodar os  professores por não se sentir suficientemente desafiado;
2. Tem uma grande sensibilidade, não é vingativa e não responde a agressões;
3. É muito curiosa e pergunta insistentemente sobre um mais temas específicos;
4. Memoriza com facilidade, especialmente detalhes, como a cor da meia que o avô usava na ceia de Natal do ano retrasado;
5. Preocupa-se muito com tudo, por conseguir analisar as conseqüências das coisas. Se o pai diz que teve uma discussão no trabalho, o superdotado pode chegar à conclusão que vai passar fome, já que o pai perderá o emprego;
6. Faz tudo com muita intensidade, dedica-se por inteiro ao que se propõe, seja nos estudos, seja no amor, por exemplo;
7. Tem um senso de humor adulto, geralmente irônico ou sarcástico;
8. Faz interpretações literais. Se ela está brincando no jardim e a mãe pede que “saia do sol”, pode responder: “mas eu estou na Terra”;
9. Possui um vocabulário extenso para sua idade, pronuncia as palavras com correção e observa a concordância ao falar.

Fonte: Dra. Maria Lúcia Prado Sabatella retirado do site:
http://www.maiscrianca.com/superdotado.htm


A dificuldade de ser superdotado


Por trás de uma criança que vai mal na escola pode haver uma capacidade cognitiva privilegiada. Psiquiatras e psicólogos começam a compreender como essa característica pode se tornar uma desvantagem.
Revista Scientific American - por Marie-Noële Ganry-Tardy

Julien quase não se envolve nas aulas, não faz lições e mostra pouco interesse por outras crianças. Ele assiste a distância à brincadeira dos colegas e jamais participa diretamente. Em casa, é considerado um menino "bom para nada". Diante disso, a diretora da escola aconselha seus pais a consultar um pedopsiquiatra. No ambiente tranquilo do consultório, o médico conquista sua confiança e propõe-lhe problemas dissociados de qualquer conotação escolar. Nesses testes de inteligência, o menino obtém resultados excepcionais. Julien é superdotado, com quociente intelectual (QI) próximo de 150, quando as outras crianças têm em torno de 100. Surge assim a questão: quantas crianças que fracassam na escola são superdotadas? É este paradoxo que abordaremos.

A diferença entre crianças precoces e superdotadas é simples: falamos em criança precoce quando seu Ql é superior a 130, e em superdotada quando excede 145. Às vezes uma nuance é introduzida: a criança superdotada possui um dom que nem sempre é fácil de ser percebido, acompanhado de um comportamento extrovertido ou introvertido, ao passo que a precoce é identificada mais facilmente: ela fala mais cedo que a média, tem vocabulário rico, sintaxe correta, gosta de ler, é curiosa e tem sede de aprender.

Na Universidade de Lille, na Françar Jean-Claude Grubar mostrou que o sono das crianças precoces comporta fases de sono paradoxal (o momento em que ocorrem os sonhos) mais longas. As fases de sono paradoxal são longas nos bebês de 9 a 10 meses, diminuindo nas crianças. Além disso, os movimentos dos olhos (nas fases de sono paradoxal) são quase duas vezes mais frequentes nos superdotados, uma característica de adultos. Essas particularidades refletiriam uma capacidade de organizar, durante essas fases do sono, as informações acumuladas durante a vigília.

No cotidiano, as crianças precoces ou superdotadas se distinguem por uma série de detalhes quer para qualquer um que já esteve com elas, dificilmente passam despercebidas. Em primeiro lugar, desde o nascimento, os bebês são despertos, atentos e emotivos. Desde cedo eles fitam intensamente seus pais, manifestando uma atenção contínua. Quando crescem, os superdotados desenvolvem uma grande sensibilidade, informando-se de tudo o que ocorre ao seu redor. São atentos, empáticos (permeáveis aos sentimentos do outro, sentindo a alegria e a tristeza com mais intensidade) e lúcidos: desde os 2 ou 3 anos analisam e participam das conversas dos adultos, falando sobre temas da atualidade, por exemplo. Aos 6, uma criança superdotada pode compreender conceitos difíceis: enquanto uma criança "norma" define palavras como tampa, oceano ou perigo, a superdotada conhece o sentido de polêmica, insinuar ou apogeu. Seu senso de humor também costuma ser bastante vivo, sem contar a elevada capacidade de adaptação: quando em outro país, contam rapidamente na moeda local, habituam-se às características da língua e se localizam facilmente nos lugares públicos.

Uma criança precoce ou superdotada costuma ler muito e gosta de aprimorar incessantemente um desenho que começou. Sua concentração é excepcional. Algumas têm um desenvolvimento motor avançado: aprendem a andar muito cedo, sabem coordenar os movimentos e desenham bem. Suas referências espaciais e temporais são aguçadas. A memória, a criatividade e a imaginação são muito desenvolvidas, assim como a flexibilidade do pensamento, e se sentem atraídas por adultos ou crianças mais velhas. Tendem ainda a formular várias questões sobre o sentido da vida ou do Universo.

• Grão de areia

Uma das características predominantes das crianças superdotadas é a lucidez, que se manifesta na facilidade com que compreendem, desde cedo, conceitos dos adultos. Voltadas para a abstração, são fascinadas pela ideia da morte. Diante de qualquer situação, percebem imediatamente os riscos, as possibilidades de fracasso ou de derrota. Essa consciência pode paralisá-Ias. Em vez de enfrentar um exame escolar, por exemplo, respondendo às questões uma após a outra, uma criança superdotada ou precoce analisa a todo instante os riscos ligados a uma resposta errada. É claro que muitos superdotados dominam essa angústia e obtêm resultados brilhantes. Entretanto, basta um pequeno grão de areia na engrenagem para que a criança se feche perigosamente em si mesma.

Retomemos ao caso de Julien. O medo de se sair mal era, sem dúvida, a razão de seus resultados ruins na escola. Com medo de ser avaliado por outras crianças, ele se distanciava. Suas verdadeiras capacidades intelectuais só se revelaram quando ficou à vontade com o psiquiatra e soube que os testes a que seria submetido não teriam nenhuma consequência. A obsessão do fracasso é geralmente a causa dos transtornos manifestados por crianças superdotadas. O problema é agravado em duas situações frequentes: a dislexia e os problemas motores.

Como ocorre em relação às outras crianças, de 8% a 10% das superdotadas são disléxicas, isto é, têm problemas para aprender a ler e escrever. Essas dificuldades, quando não detectadas, são prejudiciais a todas as crianças, mas nas superdotadas as consequências são desproporcionais. Para diagnosticar um caso de dislexia, utilizamos o chamado teste de inversão. A criança é apresentada a pares de signos (letras, formas geométriicas, objetos) idênticos, diferentes ou invertidos. Geralmente, no maternal o aluno já dispõe os objetos, classificando-os segundo as categorias: idêntico, diferente ou invertido. Aquele que confunde as categorias é provavelmente disléxica, pois não tem a noção correta da orientação das letras, dos grupos de palavras ou dos sons.

Aos 5 ou 6 anos, os superdotados constatam que compreendem tudo, mas não tiram boas notas. Eles sofrem de um conflito entre sua lucidez (eles sabem o que se espera deles) e as notas baixas que recebe: não compreendem por que não têm um bom desempenho. Assim, com uma imagem depreciada de si mesmos, eles podem se fechar e perder o innteresse pelo que Ihes é ensinado. Nessas crianças, vários sinais de sofrimento psicológico chamam a atenção: resultados escolares medíocres, ansiedade, depressão ou agravamento da dislexia. Além disso, a percepção que têm da justiça torna insuportável para elas as punições que consideram desmerecidas. Em consequência, fecham-se ainda mais na solidão.

O segundo fator que agrava o temor do fracasso é o surgimento de problemas motores ou de orientação espacial, que se manifestam por vezes desde os 3 anos. As crianças superdotadas podem, como quaisquer outras, experimentar atrasos no desenvolvimento da orientação espacial. Como são mais lúcidas, surge um conflito. Se o teste de QI não for analisado com discernimento, os resultados poderão ocultar a causa dos problemas. Assim, uma criança superdotada mas que apresenta problemas de orientação espacial obterá excelentes resultados nas provas verbais, e desastrosos nos testes de orientação em um labirinto. O resultado do teste, que leva em conta as duas notas, será medíocre, e ela será considerada de nível médio e tratada como tal, o que reforçará seu sentimento de injustiça.

Numa criança superdotada, a distância entre a sua expectativa e o resultado obtido é capaz de levar a um impasse do qual ela dificilmente sairá. Isso explica o grande número de crianças muito inteligentes que fracassam na escola. A melhor forma de impedir esses fracassos consiste em diagnosticar a precocidade o mais cedo possível, tratando das dificuldades desde os primeiros sintomas. Um tratamento ortofônico para corrigir uma dislexia manifestada no final do maternal leva de 6 a 18 meses para surtir efeitos.

Para avaliar o atraso no desenvolvimento da orientação espacial, comparamos os resultados obtidos nas provas de performance dos testes de QI (percepção do espaço, quebra-cabeças e imagens complementares, identificação de códigos) e nas provas verbais. Se a distância entre o resultado da prova verbal e o do teste de performance geral for inferior a 10 pontos, será preciso observar melhor o desenvolvimento da criança para descobrir qualquer evolução desfavorável. Se a distância se situar entre 10 e 20 pontos, aconselha-se um acompanhamento psicomotor. Se for superior a 20 pontos, uma terapia familiar.

Na terapia familiar, os pais são atendidos junto com a criança e a história da família é evoca da. O objetivo é "dissolver" as inibições, procurando o que lhe suscita o temor do fracasso. Nas que sofrem de problemas motores ou de orientação espacial, constatamos que receiam executar gestos cotidianos, como amarrar os sapatos. Elas sabem que, se tentarem, se atrapalharão e serão alvo das chacotas dos colegas. Ao indagar os pais sobre essas questões simples, o psicoterapeuta constata que eles, muitas vezes, acentuam a falta de autonomia dos filhos ao tentarem ajudá-Ios. O psicoterapeuta deve ensinar a criança a reconquistar sua autonomia, fazendo-a compreender a importância disso e aceitar a ideia do fracasso. Paralelamente, ela deve ser acompanhada por um especialista em psicomotricidade, que corrigirá seus movimentos e a ensinará a distinguir o lado direito do esquerdo. O terapeuta construirá referências espaciais por meio de desenhos e jogos.

• Arte e esporte

As crianças superdotadas ou precoces correm um sério risco de desenvolver uma falsa personalidade ou, na linguagem dos psiquiatras, um falso eu. Qual a origem do risco? Quando depende excessivamente dos pais, a criança realiza esforços desmedidos para oferecer-Ihes a imagem que acredita corresponder às expectativas deles. Essa distorção da personalidade pode ocorrer com qualquer criança, mas as consequências são mais profundas nas superdotadas, que sentem intensamente as emoções e reações íntimas das pessoas próximas. Se perceber o menor descontentamento nos pais, fará tudo para não provocá-Io novamente. O psicoterapeuta e os pais deverão propor-lhe uma série de atividades, para que escolha sem constrangimentos e sem que os pais expressem opiniões. Mas será preciso evitar que mude frequentemente de atividade, algo que poderia desestabilizá-Ia.

Essas armadilhas não signiificam, entretanto, que crianças superdotadas sejam eternas vítimas de sua inteligência superior. Muitas delas experimentam um desenvolvimento motor e psicológico harmonioso. Podem ajudar os outros no plano afetivo, técnico, artístico, esportivo ou científico. É aconselhável, no período do maternal, passá-Ias para uma classe mais adiantada. Mas talvez seja melhor alimentar as capacidades lúdicas da criança, suas aspirações culturais ou esportivas, estimulando-a a manter ocupadas suas faculdades intelectuais, geralmente mais vivas.

Um diagnóstico sistemático do estado psicológico deveria ser feito antes dos 6 anos, no primeiro trimestre do maternal e durante o primeiro e segundo anos do 1 º grau. Infelizmente, os pais recusam-se a submetê-Ias a tais testes, temendo que sejam vistas como diferentes das outras.

Saiba mais

L'enfanl surdoué: I'aider à grandir, I'aider à réussir. J. Siaud-Facchin. Ed. Odile Jacob, 2002.
Educação da criança excepcional. Samuel Kirk, James Gallagher, Editora Martins Fontes, 2000.
O indivíduo excepcional. C. W. Telford & j. M. Sawrey. Editora LTC., 1988.
Fonte:
http://www.methodus.com.br/_ambiente_aula/methodus/artigos/detalhes.asp?ID=413

3 comentários:

Panqueca on 10 de agosto de 2010 16:48 disse...

PARABÉNS PELO POST IMPORTANTÍSSIMO.

A pedofilia é mais que um crime contra uma criança, é contra toda a humanidade, o pior dos crimes.

Imagino que quando Jesus disse, naquela passagem em que as crianças tentam se aproximar e os apóstolos as afastam, que quem fizer um mal a uma criança, antes amarre uma pedra no pescoço e se jogue no mar Ele tenha falado não com palavras suaves ou caçmamente. imagino que falou com força, rigor, como uma mãe defendendo seus filhos do perigo iminente.

Vou até colocar um link no meu blog remetendo ao seu post.

Precisamos cuidar das crianças com mais atenção, deixar que vivam a sua infância. É preciso que elas iniciem tão cedo a navegação na internet? É preciso abandonar aquelas roupinhas tão fofas pra vestí-las de mini adultos? Elas precisam saber hoje de todas as desgraças que passam no jornal?

Já privamos de tantas coisas pela sua segurança e tiramos um pouco sua inocência para informá-las e protegê-las de tantos perigos que o que for possível fazer para preservar a inocência, façamos.

Abraços.

Lariça Betfuer on 12 de agosto de 2010 12:38 disse...

Infelizmente, nem todas as crianças tem a infância que gostaríamos que tivessem.
Essa postagem, foi um grito de alerta a todos que podem fazer alguma coisa pelos pequenos e não fazem.

Lilly Lopes on 7 de abril de 2014 09:46 disse...

Olá! Sou mãe de uma pequena talentosa. Ela foi diagnosticada quando tinha 10 meses, já q com essa idade ela falava frases completas e conversava como uma clã de 3 anos!!! No momento eu me assustei dai procurei uma especialista q me falou das alegrias e dos riscos... Bem, hoje ela tem 4 anos e ainda me surpreende a cada dia, no entanto, ela tem dificuldades na pronuncia de algumas palavras, isso tem a constrangido muito, a escola dela dela diz q é normal, mas pediu para q eu procurasse um especialista. Tenho medo q ela se frustre e todo o seu talento seja desperdiçado... O q eu faço??? Alguém pode me ajudar??

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